Moradores do Tapanã, em Belém, acordaram na quarta-feira (10) com uma ameaça atribuída à facção criminosa Comando Vermelho. Pelo menos três casas do local foram pichadas e tiveram câmeras de segurança arrancadas por criminosos. O recado, escrito com letras em vermelho, foi claro: “A partir de hoje a casa que tiver câmera vai ‘varar’ na bala. O aviso foi dado”.

Rapidamente, as imagens repercutiram nas redes sociais e o desencadearam uma mega-operação, sob comando do major Lima Neto, do 24º Batalhão da Polícia Militar (BPM), fosse realizada na comunidade desde as dez da manhã até o final da tarde. Foram quatro homens e duas mulheres detidos, sob a afirmação policial de envolvimento no crime.

Responsável pela ação, o major Lima Neto explicou que a operação teve início logo após as autoridades policiais terem conhecimento das pichações. “Desde então nós montamos a força-tarefa e começamos a diligência. Conseguimos fazer a captura de quatro envolvidos, e ainda estamos no encalço de outros dois. Isso é reflexo do trabalho que vem sendo feito de forma participativa no bairro do Tapanã. Trata-se de uma retaliação e estamos dando uma resposta”, detalhou.

Durante a noite, quatro pessoas detidas – duas mulheres e dois homens – já haviam sido liberadas por falta de provas que as ligassem à autoria das pichações e também à facção criminosa que assina as mensagens. Os acusados foram ouvidos pelo delegado titular do Tapanã, Eduardo Lima, e pelo diretor de polícia metropolitana da Polícia Civil, delegado Daniel Castro. “Vamos trabalhar de forma ordenada, mas, calma e serena para dar a resposta a todos”, enfatizou.

O medo e terror continuou ao longo do dia para as famílias que moravam no local. A aglomeração de populares em frente às casas denunciou que algo seguia fora do comum pela rua comumente pacata. A movimentação de várias viaturas da Polícia Militar pela área, com objetivo de identificar e deter envolvidos na ação criminosa, acabou gerando receio para alguns moradores do local.

Preocupado, o irmão de uma das pessoas detidas relatou ter ouvido gritos da familiar, enquanto policiais estavam na residência. “Pegaram ela e mais três e levaram lá pra cima pra espancar. Não deixaram a gente subir. Eu só vi quando ela desceu com um pano na mão. Acho que quebraram a mão dela”, apontou. No local, uma televisão havia sido quebrada e vários objetos estavam jogados pelo chão. A suspeita teria tido uma passagem pela Polícia por tráfico de drogas, mas atualmente atuava como manicure, relatou a mãe.

Na Delegacia do Tapanã, durante toda a tarde, diversos familiares foram ao local para buscar notícias dos detidos. Uma familiar contou que um dos suspeitos havia saído para comprar cigarro, quando foi abordado pelos policiais militares e detido. Segundo ela, ele não tinha passagem pela polícia.

Apesar dos relatos, nenhum boletim de ocorrência sobre o suposto abuso policial foi registrado na Delegacia do Tapanã.

Foto: Reprodução WhatsApp
Informações: O Liberal

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