Projeto busca fortalecer manejo sustentável da castanha-do-pará no Marajó

Uma oficina realizada no fim de julho reuniu extrativistas da Floresta Nacional de Caxiuanã, no arquipélago do Marajó, para discutir os desafios e as oportunidades da cadeia produtiva da castanha-do-pará. A iniciativa faz parte do projeto Castanha Caxiuanã, desenvolvido pelo IPÊ – Instituto de Pesquisas Ecológicas, com o objetivo de fortalecer o manejo sustentável e valorizar a produção local.

Durante o encontro, realizado na escola da comunidade Caxiuanã, moradores contribuíram para um diagnóstico participativo da atividade. Com base nas informações fornecidas pelos próprios extrativistas, foram identificados 25 castanhais dentro da unidade de conservação.

O levantamento também contou com visitas a dois castanhais para o georreferenciamento das áreas de coleta. As informações serão utilizadas no planejamento das próximas etapas do projeto, que pretende identificar os principais desafios da cadeia e propor melhorias no manejo, na organização dos produtores e na comercialização da castanha.

Para a pesquisadora do IPÊ, Ilnaiara Sousa, ouvir os moradores é fundamental para compreender a realidade da atividade e definir as ações necessárias para fortalecer a cadeia produtiva.

“A nossa ideia aqui é ouvir a comunidade e entender como funciona a cadeia da castanha, já que há muito tempo este produto é manejado na Flona. A partir disso, vamos auxiliar nos pontos da cadeia que precisarem de atenção, seja na forma de manejo, na organização social ou na venda da castanha”, afirma Ilnaiara Sousa, pesquisadora do IPÊ.

A dificuldade de comercialização é um dos principais desafios apontados pelos extrativistas. Segundo moradores, a ausência de uma organização coletiva, como uma cooperativa, acaba aumentando a dependência de atravessadores e reduzindo o poder de negociação dos produtores.

A extrativista Maria Calixta, de 63 anos, que trabalha com a coleta de castanha há mais de cinco décadas, vê no projeto uma oportunidade de valorizar a atividade desenvolvida por sua família.

“A coleta de castanha faz parte da rotina da minha família. Todos os anos nos reunimos para coletar e vender os frutos, mas devido às dificuldades que enfrentamos a cada ano, sem nenhum apoio, esse trabalho está cada vez mais desvalorizado. Como não temos uma cooperativa para fortalecer as vendas, o atravessador é que impõe o preço dele e muitas vezes acaba colocando um preço muito abaixo, que desestimula o trabalho. Por isso, acho importante ter uma oportunidade como essa, pois todos aqui passam pela mesma situação de desvalorização”, ressalta.

O extrativista Roberto Araújo, de 38 anos, também destaca a importância de fortalecer a comercialização e ampliar a organização dos coletores. Segundo ele, a criação de uma cooperativa poderia contribuir para melhorar as condições de venda e estimular a atividade na comunidade.

Acredito que esse projeto pode ser uma oportunidade para fortalecer a nossa cadeia produtiva, principalmente em relação à comercialização. Outro ponto positivo que achei é a possibilidade da gente se organizar numa cooperativa, que certamente vai incentivar os coletores da nossa comunidade”

Próximas etapas

O projeto prevê a realização de diagnósticos participativos em outras três comunidades da Flona, além de inventários dos castanhais, estimativas de produção e elaboração de um documento técnico participativo sobre a cadeia de valor da castanha.

Floresta Nacional de Caxiuanã

Criada em 1961, a Floresta Nacional de Caxiuanã possui aproximadamente 330 mil hectares e está localizada nos municípios de Portel e Melgaço, no arquipélago do Marajó.

Considerada a Flona mais antiga da Amazônia, a unidade de conservação reúne diferentes ecossistemas, como florestas de terra firme, igapós e várzeas. Segundo o ICMBio, cerca de 118 famílias vivem em sete comunidades dentro da unidade.

Projeto Castanha Caxiuanã

Iniciado em dezembro de 2025, o projeto Castanha Caxiuanã: fortalecimento da Cadeia de Valor da Castanha-da-amazônia na FLONA de Caxiuanã busca organizar e fortalecer o manejo de produtos florestais não madeireiros, com foco na cadeia de valor da castanha.

A iniciativa é financiada pelo Serviço Florestal Brasileiro (SFB), com apoio do ICMBio, e prevê ações voltadas ao fortalecimento da sociobioeconomia, à participação comunitária e à melhoria dos planos de manejo florestal comunitário na unidade de conservação.

Fotos: Sidney Oliveira/ IPÊ

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