Atraso de salários leva rodoviários da Monte Cristo a nova paralisação

Os trabalhadores da empresa de ônibus Monte Cristo voltaram a paralisar as atividades na manhã desta segunda-feira (20), em Belém, em protesto contra o atraso no pagamento de salários, férias e vale-alimentação. Segundo a categoria, há pendências referentes aos meses de abril, maio e junho, além de dois meses de vale-alimentação em atraso. A paralisação afeta oito linhas do transporte coletivo da capital.

De acordo com os trabalhadores, cerca de 100 funcionários, entre motoristas, cobradores, mecânicos, lavadores e colaboradores do setor administrativo, são prejudicados pelos atrasos. Além dos salários, eles denunciam que a empresa há anos não paga as férias dentro do prazo previsto em lei, obrigando os funcionários a retornar ao trabalho sem receber o benefício.

O Sindicato dos Rodoviários de Belém (Sintrebel) acompanha o movimento e cobra uma solução imediata para garantir o pagamento dos direitos trabalhistas. Segundo o vice-presidente da entidade, Everton Paixão, esta é a segunda paralisação em menos de três meses. A anterior durou 11 dias e terminou após mediação da Justiça do Trabalho, quando foi firmado um acordo para o pagamento parcelado dos salários de abril. Conforme o sindicato, o compromisso não foi cumprido pela empresa.

Ainda de acordo com o Sintrebel, a situação financeira da Monte Cristo se agravou nos últimos anos. Atualmente, a empresa opera com menos de 20 ônibus, número bem inferior à frota de mais de 70 veículos que circulava anteriormente.

A paralisação afeta as linhas 635 (CDP/Providência), 228 (Sacramenta–São Brás), 227 (Sacramenta–Humaitá), 546A (Sacramenta–Nazaré via Pedro Miranda), 546B (Sacramenta–Nazaré via Pedro Álvares Cabral), 439 (Pedreira–Nazaré), 422 (Alcindo Cacela via Domingos Marreiros) e 443 (Pedreira–Lomas A).

Em nota, o Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros de Belém (Setransbel) informou que a situação enfrentada pela Monte Cristo é consequência das dificuldades financeiras da operadora e do desequilíbrio econômico do sistema de transporte coletivo. A entidade afirma que a tarifa pública está abaixo do custo real da operação, enquanto despesas com combustível, manutenção, peças, salários e encargos aumentaram. O sindicato patronal também cita a redução do número de passageiros pagantes e informa que mantém diálogo com os trabalhadores e o Sintrebel para buscar a regularização das pendências e garantir a continuidade do serviço.

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