A COP30, conferência do clima das Nações Unidas, começa nesta segunda-feira (10) em Belém, reunindo chefes de Estado, autoridades, cientistas e representantes da sociedade civil de todo o mundo. Ao longo de duas semanas, a capital paraense será palco das negociações que buscam definir medidas para conter o aquecimento global, ampliar o financiamento climático e acelerar a transição para uma economia de baixas emissões, com a Amazônia no centro das discussões.
1) O que é a COP30
A COP30 é a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, que reúne governos, cientistas, diplomatas, empresas e organizações civis de todo o mundo para buscar soluções conjuntas à crise climática.
Realizada anualmente desde 1995 (com exceção de 2020, devido à pandemia), a sigla “COP” vem de Conference of the Parties — ou “Conferência das Partes” — e representa os 197 países que integram o pacto ambiental da ONU firmado nos anos 1990.
O tratado, conhecido como Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (CQNUMC), tem como meta conter as emissões de gases de efeito estufa e estabilizar o sistema climático global.
O tema ganha urgência diante de recordes recentes: segundo o observatório europeu Copernicus, outubro de 2025 foi o terceiro mais quente da história, com temperatura média de 15,14 °C — reforçando a tendência de que 2025 termine entre os anos mais quentes já registrados.
2) O que está em debate na COP30
A conferência em Belém gira em torno de três grandes eixos: transição energética, adaptação climática e financiamento.
O Brasil quer liderar a criação de um “mapa do caminho” para substituir gradualmente o uso de combustíveis fósseis por fontes renováveis, garantindo uma transição justa e equilibrada entre países.
Outro ponto-chave é o Objetivo Global de Adaptação (GGA), que vai medir o preparo das nações frente aos impactos do clima e buscar recursos estáveis para apoiar as mais vulneráveis.
No campo financeiro, as negociações devem avançar sobre o Roteiro de Baku a Belém, que prevê mobilizar até US$ 1,3 trilhão anuais até 2035 para financiar descarbonização e adaptação.
Também estão na pauta o Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF) — proposto pelo Brasil para remunerar países que mantêm florestas em pé — e debates sobre mercados de carbono e justiça climática.
3) Expectativas do governo Lula
O governo Lula pretende usar a COP30 para consolidar o Brasil como líder e mediador global na agenda climática.
Entre as prioridades estão o Compromisso de Belém pelos Combustíveis Sustentáveis (Belém 4X) — que busca quadruplicar o uso de combustíveis sustentáveis até 2035 — e a implementação do TFFF como novo modelo de financiamento ambiental.
Apesar do protagonismo, o país enfrenta críticas de ambientalistas pelo licenciamento de blocos de petróleo na Margem Equatorial, o que gera questionamentos sobre coerência entre discurso e prática.
Ainda assim, o Planalto aposta na conferência para reforçar o papel diplomático do Brasil e cobrar dos países ricos mais recursos e regras justas para o crédito verde.
4) Quem faz a COP30 acontecer
A COP30 reúne milhares de representantes de governos, instituições, empresas e movimentos sociais.
O embaixador André Corrêa do Lago preside a conferência e tem a missão de mediar acordos entre mais de 190 países. Já Ana Toni, diretora-executiva, coordena a logística e a integração das agendas de trabalho.
As negociações são intensas e seguem cronogramas rígidos, envolvendo desde reuniões técnicas até decisões políticas entre chefes de Estado.
5) O que se espera como resultado
A COP30 é vista como um ponto de virada para transformar compromissos políticos em ações concretas.
Um dos principais resultados esperados é o avanço nas novas metas climáticas (NDCs) — hoje insuficientes para limitar o aquecimento global a 1,5 °C.
Outro objetivo é consolidar o “mapa do caminho” da transição energética, com etapas e prazos definidos para reduzir o uso de petróleo, gás e carvão.
Segundo a ministra Marina Silva, a COP30 será a “COP da implementação” — a conferência que precisa garantir meios reais, financeiros e tecnológicos, para tornar as metas climáticas possíveis.


