O mês de julho de 2025 encerrou-se como um dos mais atípicos dos últimos anos em Belém, registrando um volume de chuvas significativamente acima do esperado. De acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), foram 285,4 mm acumulados ao longo do mês — 83% acima da média histórica de 156 mm.
Ao longo dos 31 dias de julho, choveu em 25 deles. Três desses dias concentraram juntos 145 mm de precipitação, sendo a maior intensidade registrada entre os dias 2 e 3, quando o volume chegou a 75 mm.
Segundo o meteorologista José Raimundo Abreu, a previsão é de mais chuvas entre esta quinta-feira (31) e a próxima sexta (1º). Já no fim de semana, entre os dias 2 e 3 de agosto, o tempo deve se manter firme na capital paraense.
Apesar da chegada do período tipicamente mais seco, agosto também deve apresentar acumulados acima da média, com previsão de chuvas entre 10% e 20% superiores ao normal. A média histórica para o mês é de 126 mm, mas a estimativa é que os índices pluviométricos fiquem entre 150 mm e 160 mm.
O padrão das chuvas também deve mudar: em julho, os temporais ocorreram mais frequentemente entre o fim da tarde e a madrugada. Já em agosto, as pancadas estão previstas para ocorrer entre 15h e 20h. O céu deve se manter, em geral, claro ou parcialmente nublado, com aumento gradual da temperatura.
Alta no Atlântico explica anomalia
O comportamento anômalo das chuvas em julho está relacionado ao aquecimento das águas do oceano Atlântico, que ficaram cerca de 1,1 °C acima da média. A elevação da temperatura favoreceu a evaporação e, consequentemente, a formação de nuvens carregadas, que avançaram até o oeste do Pará.
Esse cenário foi ainda mais acentuado pela ausência dos fenômenos El Niño ou La Niña no Pacífico, o que permitiu maior influência da radiação solar sobre o Atlântico. Segundo Abreu, esse fator foi determinante para a intensificação das chuvas irregulares, que variaram bastante entre os bairros da capital — em algumas áreas choveu forte, enquanto outras mal registraram precipitações.
Essas chuvas localizadas e de curta duração devem continuar em agosto. “É uma das características do mês”, afirma o meteorologista. “Podemos ter a formação de nuvens do tipo cumulonimbus, que provocam pancadas intensas e rápidas, como já foi observado em julho.”
Interior do estado também foi impactado
Outras regiões do Pará também registraram volumes expressivos de chuva em julho, especialmente no litoral. Municípios como Soure, Bragança, Marapanim e Salinas tiveram acumulados elevados. Já em Santarém, Belterra e Monte Alegre, os índices ultrapassaram os 100 mm.
As temperaturas também tendem a subir em agosto. Em julho, as mínimas variaram entre 22,5 °C e 23,5 °C, com máximas entre 32 °C e 34 °C. Para o próximo mês, são esperadas mínimas entre 22,5 °C e 24 °C e máximas que podem chegar a 34,5 °C ou até 35 °C, com redução da nebulosidade e mais dias ensolarados.


