O Governo do Estado do Pará, através da equipe multiprofissional de atenção à saúde mental do Hospital de Clínicas Gaspar Vianna (HC), promoveu uma semana de atividades voltadas às etnias Xikrin e Gavião, localizadas no sudeste do Estado. A equipe, composta por psicólogos, assistentes sociais, terapeutas ocupacionais, educadores físicos e fisioterapeutas, realizou atendimentos individuais e atividades lúdicas para abordar questões emocionais e habilidades sociais, além de oferecer terapias manuais, atividades físicas adaptadas e atendimento integrado para situações de emergência ou alta vulnerabilidade.
As ações tiveram início em Parauapebas, com atendimentos nas aldeias Katete e Djudjeko (etnia Xikrin). Em seguida, a equipe se deslocou para o município de Bom Jesus do Tocantins, contemplando as aldeias Kyikatêjê, Parkatêjê, Kriamretijê e Metyitikatejê (etnia Gavião). O psicólogo George Faro destacou a relevância de levar a saúde mental para essas comunidades. “É essencial atender às populações indígenas devido ao histórico de vulnerabilidade causado pela colonização, preconceito e discriminação. Além disso, o acesso limitado a serviços de saúde exige que equipes se desloquem até as aldeias. É igualmente importante integrar saberes históricos e culturais com o conhecimento científico”, afirmou.
A Terra Indígena Mãe Maria (etnia Gavião), localizada em Bom Jesus do Tocantins, foi duramente afetada por incêndios em 2024, que destruíram casas, plantações e animais, além de comprometerem a saúde dos indígenas. A coordenadora de Saúde Indígena e Povos Tradicionais da Sespa, Tatiany Peralta, explicou a escolha estratégica dessas aldeias para a ação. “Durante visita com o Ministério da Saúde, identificamos necessidades urgentes, como atendimento especializado em pneumologia devido às queimadas, além de suporte à saúde mental, especialmente para as crianças. Por isso, trouxemos uma equipe multidisciplinar com psicólogos, terapeutas ocupacionais, fisioterapeutas e educadores físicos”, disse.
O brigadista Aiteti Gavião, que esteve na linha de frente do combate aos incêndios, enfatizou o impacto positivo da presença da equipe. “Os incêndios abalaram profundamente nossa saúde mental. Ver nosso território em chamas foi devastador. A chegada dessa equipe trouxe acolhimento e esperança”, relatou emocionado.
Durante a ação, mais de 440 atendimentos foram realizados, respeitando as especificidades socioculturais dos indígenas. A psicóloga Clara Ferreira ressaltou a importância de valorizar as práticas tradicionais. “É fundamental ouvir os problemas apresentados pelos indígenas com respeito às soluções que eles mesmos criam. A valorização das perspectivas indígenas sobre adoecer, sofrer e curar é essencial para a promoção da saúde”, explicou.
As estratégias de cuidado foram desenvolvidas com base nas demandas levantadas pela comunidade, promovendo orientação e educação em saúde. Segundo a terapeuta ocupacional Amanda Pires, “levar atendimento de saúde mental aos territórios indígenas possibilita compreender as demandas específicas e os impactos biopsicossociais e ambientais, promovendo saúde e encaminhando casos para a rede de atenção psicossocial do Estado”.
A iniciativa reforçou a parceria do HC com a saúde coletiva, garantindo cuidado integral às populações indígenas em áreas de difícil acesso. Jakure Pepkrakte, líder indígena, agradeceu pela ação. “Agradecemos ao Estado por trazer essa equipe para nossa aldeia e outras do território Mãe Maria, realizando diagnósticos e levantamentos essenciais”, declarou.
Além dos atendimentos de saúde mental, a ação “Saúde Indígena”, parte do programa “Saúde Por Todo o Pará”, ofereceu consultas médicas em especialidades como pneumologia, clínica geral, pediatria e ginecologia, além de serviços de farmácia, exames laboratoriais e distribuição de kits odontológicos. Em parceria com a Ceped, foram realizados encaminhamentos para próteses e orientações sobre o passe livre.