Açaí pesa no bolso no fim do ano: preço do litro volta a subir em Belém 

O preço do açaí, alimento símbolo da cultura e da mesa do paraense, voltou a subir em Belém. Segundo pesquisas realizadas pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos no Pará (DIEESE/PA), em feiras livres, pontos de venda e supermercados da capital, o valor médio do litro do produto registrou nova alta em novembro de 2025. Os reajustes variaram entre 0,36% e quase 1%, a depender do tipo do açaí e do local de comercialização. 

Os dados mais recentes confirmam um movimento contínuo de encarecimento ao longo do ano. Na comparação acumulada de janeiro a novembro de 2025 e também no recorte dos últimos 12 meses — novembro de 2025 em relação a novembro de 2024 — os aumentos superam, com folga, a inflação do período, evidenciando perda de poder de compra para os consumidores. 

No caso do açaí do tipo médio, comercializado em feiras livres, pontos de venda e supermercados da capital, a trajetória de alta é clara. Em novembro de 2024, o litro era vendido, em média, a R$ 20,43. Um ano depois, em novembro de 2025, o valor médio chegou a R$ 28,12. Apenas no último mês, o reajuste foi de 0,36%, enquanto no acumulado do ano a alta atingiu 22,37%. Já na comparação dos últimos 12 meses, o aumento chega a 37,64%. 

O açaí do tipo grosso também apresentou elevação significativa. Em novembro de 2024, o litro custava, em média, R$ 30,31. No mês passado, o preço médio alcançou R$ 40,30. Somente em novembro de 2025, o reajuste foi de 0,67% em relação a outubro. No acumulado de janeiro a novembro, a alta foi de 20,62%, e, nos últimos 12 meses, de 32,96%. 

De acordo com o DIEESE/PA, os aumentos do açaí ao longo de 2025 superam em mais do que o dobro a inflação estimada para o período. Enquanto a inflação acumulada entre janeiro e novembro gira em torno de 3,80%, os reajustes do produto ficaram muito acima desse patamar. No recorte de 12 meses, com inflação estimada em cerca de 4,50%, a diferença é ainda mais expressiva. 

As pesquisas também mostram grande variação de preços conforme o tipo do produto e o local de compra. Na última semana de novembro, o litro do açaí do tipo médio foi encontrado entre R$ 20,00 e R$ 30,00 nas feiras livres. Nos supermercados, os valores variaram de R$ 26,00 a R$ 27,99. Já o açaí do tipo grosso apresentou preços ainda mais elevados: de R$ 30,00 a R$ 45,00 nas feiras e de R$ 38,99 a R$ 46,00 nos supermercados. 

Para o DIEESE/PA, esse cenário reforça a importância da pesquisa de preços por parte dos consumidores e evidencia o impacto direto do encarecimento do açaí no orçamento das famílias, especialmente por se tratar de um item central na alimentação e na cultura alimentar da população paraense. 

A avaliação do departamento é que os preços devem seguir pressionados até o fim de 2025 e no início de 2026, com possibilidade de novos reajustes pontuais. Entre os fatores que explicam a alta estão a entressafra do fruto, que reduz a oferta, o aumento dos custos de produção e logística — como transporte, energia e armazenamento —, além da demanda aquecida nos mercados interno e externo. Questões climáticas e operacionais ao longo da cadeia produtiva também contribuem para manter o açaí com preços elevados, acima da inflação, pressionando ainda mais o bolso do consumidor paraense. 

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *