A Polícia Federal realizou, nesta quarta-feira (4), a Operação Dirty Dancing para desarticular uma organização criminosa transnacional suspeita de aliciar mulheres brasileiras para exploração sexual em Israel. O grupo também é investigado por facilitar a entrada irregular das vítimas em outros países e ficar com parte do dinheiro obtido por meio da atividade.
Durante a operação, os agentes cumpriram um mandado de prisão preventiva e dois de busca e apreensão em Ananindeua, na Região Metropolitana de Belém, além de outro mandado de busca em Goiânia (GO).
Por determinação da Justiça Federal, também foram bloqueados e sequestrados bens e valores dos investigados, até o limite de R$ 10 milhões. A decisão incluiu ainda a suspensão das atividades de duas empresas ligadas à principal suspeita, apreensão de passaportes, monitoramento eletrônico e proibição de deixar o país para dois investigados.
As investigações tiveram início em fevereiro de 2025, após informações repassadas pela Polícia de Israel. A apuração brasileira é um desdobramento de um trabalho realizado pelas autoridades israelenses para investigar a atuação do mesmo grupo.
Segundo a Polícia Federal, a líder da organização utilizava redes sociais e aplicativos de mensagens para atrair mulheres interessadas em viajar para o exterior. O grupo organizava passagens e hospedagens, enquanto outros integrantes, que atuavam no Brasil, eram responsáveis por divulgar anúncios em sites especializados e agendar encontros com clientes.
Ainda conforme as investigações, o dinheiro arrecadado no exterior era recebido em espécie e enviado ao Brasil por meio de brasileiros que moravam fora do país. Eles seriam responsáveis por realizar transferências utilizando um esquema clandestino de câmbio.
A principal investigada teve a prisão preventiva decretada pela Justiça Federal. As apurações indicam que a organização atuava de maneira contínua e mantinha uma estrutura voltada à exploração sexual de mulheres brasileiras em diferentes países.
Os suspeitos poderão responder por organização criminosa, tráfico de pessoas, favorecimento da prostituição, rufianismo, promoção de migração irregular e operação ilegal de câmbio.


