O Círio de Nazaré 2026 deve atrair cerca de 105 mil turistas para Belém e movimentar aproximadamente R$ 207,5 milhões na economia da capital paraense. A estimativa é do Observatório do Turismo do Pará, em parceria com o Dieese/PA. O número de visitantes representa um aumento de 5% em relação a 2025, quando cerca de 100 mil turistas participaram da festa.
A previsão também aponta crescimento nos gastos dos visitantes. A expectativa é de que os turistas movimentem US$ 40,6 milhões este ano, contra US$ 38,9 milhões em 2025. Considerando a cotação do dólar comercial de R$ 5,112, registrada no dia 9 de setembro, o valor chega a aproximadamente R$ 207,5 milhões.
Os dados têm como base uma pesquisa realizada com 1.200 turistas durante o Círio de 2025. O levantamento foi feito pela Universidade Federal do Pará (UFPA), entre os dias 8 e 15 de outubro, em áreas próximas à Basílica de Nazaré, ao Centro Arquitetônico de Nazaré e à Casa de Plácido.
Segundo a pesquisa, 52,75% dos visitantes eram mulheres. A faixa etária mais comum foi de 35 a 50 anos, com 35,33% dos entrevistados. Em relação à escolaridade, 42,5% tinham ensino superior completo e 25,67% possuíam pós-graduação.
O Maranhão foi o estado que mais enviou turistas para o Círio, seguido por São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará e Amazonas. A pesquisa também identificou visitantes de todas as outras unidades da federação.
A maioria dos turistas viajou em família. Cerca de 50,75% estavam acompanhados de parentes, enquanto 27,17% viajaram em grupos e 22,08% foram sozinhos. O avião foi o principal meio de transporte, utilizado por 60,67% dos visitantes.
Na hospedagem, a casa de parentes foi a opção mais procurada, com 38,08%, seguida pelos hotéis, com 26,33%, e casas de amigos, com 15,08%. A permanência média dos turistas em Belém foi de aproximadamente sete dias, e 59,22% ficaram entre três e sete dias na cidade.
Além de participar das programações do Círio, 31,17% dos turistas disseram que pretendiam conhecer outros destinos do Pará. Entre os locais mais citados estão Salinópolis, Mosqueiro, Marajó, Bragança e Combu.
Em Belém, os principais pontos turísticos procurados pelos visitantes foram a Basílica de Nazaré, a Estação das Docas, o Ver-o-Peso, o Porto Futuro e o Mangal das Garças.
A pesquisa também mostra que o Círio tem um forte poder de fidelização. Cerca de 63,83% dos entrevistados já tinham participado da festa anteriormente e 93% afirmaram que pretendem voltar. A indicação de amigos e familiares foi a principal forma de conhecer o evento, responsável por 67% das respostas.
Entre os aspectos mais elogiados pelos turistas estão a gastronomia, citada por 23%, a hospitalidade, com 19,5%, além da cultura, dos pontos turísticos e da beleza da cidade.
Por outro lado, os visitantes apontaram problemas que ainda precisam ser melhorados. O trânsito foi a principal reclamação, com 22,17% das respostas, seguido pela limpeza urbana, com 12,75%, segurança, com 4,75%, e transporte, com 3,42%.
Na pesquisa realizada em 2025, a alimentação foi responsável pela maior parte dos gastos dos turistas, representando 38,14% do orçamento. Depois aparecem hospedagem, com 28,62%, lembranças e souvenires, com 18,13%, e transporte interno, com 15,11%.
Para o Observatório do Turismo e o Dieese/PA, o impacto econômico do Círio vai além dos dias de procissão. A movimentação envolve setores como alimentação, hospedagem, transporte e comércio, beneficiando desde grandes empresas até pequenos negócios, trabalhadores autônomos e a economia popular.
As instituições também apontam que melhorias no trânsito, limpeza urbana, segurança e transporte, além da divulgação de outros destinos paraenses, podem contribuir para aumentar o tempo de permanência dos visitantes e distribuir os benefícios do turismo para outras regiões do estado.


