Transmitida por insetos popularmente conhecidos como barbeiros, a doença de Chagas tem seu dia de conscientização nesta terça-feira (14). Diante disso, a Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa) reforça a importância da prevenção, destacando que a principal forma de infecção ocorre pela ingestão de alimentos contaminados com o protozoário Trypanosoma cruzi, geralmente em razão de falhas na higiene e no processamento.
A transmissão também pode acontecer quando o barbeiro infectado pica uma pessoa e deposita fezes contaminadas no local, permitindo que o parasita entre na corrente sanguínea.
Na fase aguda, os sintomas mais comuns incluem dor de cabeça, febre, cansaço, inchaço no rosto e nos membros inferiores, além de taquicardia, palpitações, dor no peito e falta de ar. Como esses sinais podem ser confundidos com os de outras doenças, é fundamental buscar atendimento na unidade de saúde mais próxima para avaliação e realização de exames.
O diagnóstico precoce é essencial, já que o atraso no início do tratamento aumenta os danos causados pelo Trypanosoma cruzi, especialmente ao coração e ao sistema digestivo. Segundo o coordenador do Programa de Controle da Doença de Chagas da Sespa, Eder Monteiro, qualquer pessoa com suspeita deve procurar imediatamente uma Unidade Básica de Saúde para notificação, exames e início do tratamento. O acompanhamento dura, em média, dois meses com medicação específica, seguido de monitoramento por até cinco anos na atenção básica, com suporte de especialistas quando necessário.
A Sespa também investe na capacitação de profissionais de saúde e no apoio técnico aos municípios, garantindo uma rede de atendimento organizada e eficiente. Além disso, promove ações educativas voltadas à população, escolas, produtores de açaí e trabalhadores envolvidos no processamento da fruta, com foco nas boas práticas de higiene.
Em março, Belém sediou uma oficina para elaboração do Plano de Prevenção de Surtos da Doença de Chagas no Pará, em parceria com o Ministério da Saúde. A iniciativa já contribuiu para a capacitação de mais de 600 profissionais e para a redução de casos e óbitos no estado. Entre as ações adotadas estão a melhoria do fluxo de atendimento, reuniões técnicas, capacitações e reforço no abastecimento de medicamentos.
A secretaria também atua em conjunto com outros órgãos e instituições, como a Secretaria de Desenvolvimento Agropecuário e da Pesca (Sedap), o Ministério Público e a Universidade Federal do Pará (UFPA), buscando aprimorar a qualidade do açaí comercializado e reduzir riscos de contaminação.
Atualmente, o Pará concentra cerca de 80% dos casos de doença de Chagas no Brasil. Em 2024, foram registrados 494 casos e seis mortes; em 2025, 512 casos e oito óbitos; e, em 2026, até 11 de abril, já foram confirmados 97 casos, com quatro mortes. A maioria das infecções (89%) ocorre por transmissão oral, sendo 53% dos casos em mulheres.
Para conter a doença, a Sespa mantém ações contínuas em municípios prioritários, em parceria com prefeituras e com apoio do Ministério Público. De acordo com Eder Monteiro, a melhoria no tempo de notificação tem contribuído para que mais de 90% dos pacientes confirmados evoluam sem complicações.


