Açaí chega a R$ 40 em Belém durante entressafra 

O açaí, alimento símbolo da cultura paraense, tem sido vendido por cerca de R$ 40 o litro do tipo médio em pontos de venda de Belém, um aumento de aproximadamente 66% em relação ao preço médio de R$ 24 registrado em períodos de maior oferta. A alta está diretamente ligada à entressafra, quando a disponibilidade do fruto diminui nas feiras e encarece toda a cadeia de comercialização. Nesse cenário, a lata do produto, que costuma custar em torno de R$ 120, chega a R$ 300. 

A redução na oferta também tem impactado o volume adquirido pelos vendedores, que enfrentam dificuldades para encontrar fornecedores e precisam recorrer a diferentes origens para garantir o abastecimento. Com isso, a quantidade comprada diariamente diminui, enquanto os custos aumentam, afetando a margem de lucro mesmo diante da manutenção da demanda. 

Na Feira do Açaí, principal ponto de comercialização antes da revenda, a valorização do produto é ainda mais evidente. A lata, que rende cerca de 14 litros, pode alcançar R$ 300 durante a entressafra, enquanto os paneiros — que produzem entre 35 e 45 litros — chegam a R$ 600, muito acima dos cerca de R$ 100 praticados no período de safra. 

A instabilidade nos preços também é um fator marcante, já que não há um valor fixo e cada fornecedor define sua própria tabela. Em alguns casos, mesmo com menor rendimento do fruto, os preços seguem elevados, o que leva comerciantes a reduzirem suas margens para manter o produto acessível. 

Além da escassez local, há alternativas vindas de outros estados, como o açaí congelado, mas a qualidade costuma ser inferior devido à distância e ao tempo de transporte. Ainda assim, o consumo permanece alto, reflexo da forte tradição alimentar da população paraense, que mantém o hábito mesmo diante dos preços elevados. 

Do ponto de vista da produção, o cenário é explicado pelo ciclo natural do açaizeiro. A safra ocorre principalmente entre julho e dezembro, período de grande oferta e preços mais baixos. Já entre janeiro e junho, a produção nativa cai significativamente, enquanto a demanda segue alta. Nesse intervalo, o abastecimento depende de cultivos em terra firme, que exigem maiores custos com manejo, como adubação e irrigação. 

Apesar da existência de açaí industrializado, o consumo ainda enfrenta resistência, já que há preferência pelo produto fresco, batido no dia. A expectativa é que o equilíbrio entre oferta e demanda nesse período leve tempo e dependa de investimentos na produção para reduzir os impactos da entressafra nos preços. 

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