Pará apresenta na COP30 a importância das árvores gigantes e das unidades de conservação 

O Pavilhão Pará, na Green Zone da COP30, sediou nesta terça-feira (18) o painel “Áreas Protegidas no Estado do Pará e as Árvores Gigantes no Equilíbrio Climático da Amazônia”, promovido pelo Instituto de Desenvolvimento Florestal e da Biodiversidade (Ideflor-Bio). O encontro reuniu representantes do poder público, especialistas, pesquisadores e lideranças comunitárias para discutir o papel estratégico das unidades de conservação e das árvores monumentais na regulação climática da Amazônia. 

O debate contou com participação de gestores do Ideflor-Bio, do Instituto Federal do Amapá (IFAP), da Fundação Amazônia Sustentável (FAS) e de representantes comunitários da região do Jari. 

Durante o evento, o Ideflor-Bio lançou o catálogo das Unidades Estaduais de Conservação e o box contendo a versão executiva e três estudos técnico-científicos que embasaram a criação do Parque Estadual das Árvores Gigantes da Amazônia, a 29ª Unidade de Conservação do Estado. A elaboração do material foi conduzida pela Diretoria de Gestão da Biodiversidade (DGBio), com apoio da Fundação Amazônia Sustentável (FAS) e da Andes Amazon Fund (AAF), responsáveis pelo suporte financeiro e logístico das expedições e pesquisas. 

Os estudos apresentados destacam a relevância ecológica das árvores gigantes identificadas no Norte do Pará, descobertas a partir de pesquisas do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Entre os registros, está o angelim-vermelho de 88,5 metros de altura, considerado a maior árvore já identificada no Brasil e na América Latina. Esses indivíduos desempenham papel fundamental na manutenção dos ciclos de umidade da região e na formação dos chamados “rios voadores”, que influenciam o regime de chuvas em diferentes regiões do país. 

Com base nesses levantamentos, a área originalmente destinada ao manejo florestal foi transformada em Unidade de Conservação de proteção integral, resultando na criação do Parque Estadual Ambiental das Árvores Gigantes da Amazônia, com 560 mil hectares

O painel também abordou iniciativas voltadas ao fortalecimento do ecoturismo, com destaque para ações do Ideflor-Bio na estruturação de um produto turístico voltado à contemplação, educação ambiental e geração de renda local, especialmente para as comunidades que vivem no entorno da nova Unidade de Conservação. 

Representantes comunitários presentes ressaltaram a importância da inclusão das populações tradicionais no processo de implementação da área protegida, garantindo participação direta no manejo, no uso sustentável dos recursos e na construção de oportunidades econômicas alinhadas à conservação. 

A participação do Instituto Federal do Amapá (IFAP) reforçou a relevância da pesquisa científica no corredor ecológico que conecta Pará e Amapá, com destaque para a formação de jovens pesquisadores e técnicos voltados à atuação em áreas de conservação e no desenvolvimento sustentável da região. 

O painel encerrou com a reafirmação do compromisso conjunto das instituições envolvidas na consolidação da governança ambiental da Amazônia. O lançamento dos estudos e do catálogo foi apontado como um marco para o fortalecimento das políticas públicas de conservação no Pará e para a ampliação do debate sobre o papel da região na agenda climática global. 

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