A guitarrada, gênero musical criado no Pará e marcado pela fusão de ritmos amazônicos e caribenhos, foi oficialmente reconhecida como manifestação da cultura nacional. A sanção da lei nº 15.192 ocorreu na última sexta-feira (29) pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, com assinatura conjunta da ministra da Cultura, Margareth Menezes, e do ministro do Turismo, Celso Sabino.
Com a guitarra elétrica como instrumento principal, o estilo reúne influências de choro, carimbó, merengue, cúmbia, mambo, bolero, jovem guarda e brega. O marco inicial da guitarrada é atribuído ao álbum Lambadas das Quebradas, lançado em 1978 por Mestre Vieira, considerado o criador do gênero, também chamado de “lambada instrumental”. Se estivesse vivo, o músico teria mais de 90 anos.
“O reconhecimento da guitarrada como patrimônio da cultura brasileira é motivo de orgulho para o povo paraense e reforça a Amazônia como berço de tradições únicas que encantam o Brasil e o mundo”, afirmou o ministro Celso Sabino, natural do Pará.
Ao longo das décadas, mestres como Curica e Aldo Sena consolidaram o estilo. Em 2003, o álbum Mestres da Guitarrada, produzido pelo guitarrista Pio Lobato, deu projeção nacional ao gênero.
Entre os grandes representantes da chamada “primeira geração da lambada” (anos 1970 a 1990) estão nomes como Mário Gonçalves — irmão de Pinduca, referência do carimbó —, Solista Solano, João Gonçalves, Oséas (ex-Lambaly), Magalhães, André Amazonas, Barata (irmão do tecladista Manoel Cordeiro), Didi (músico de estúdio nos anos 1980) e Marinho, conhecido como a “guitarra de ouro”.


