Lançado este mês em Brasília, o Projeto Iwy Ipuranguete tem como objetivo reforçar a proteção territorial e ambiental, além de valorizar o protagonismo indígena. Coordenado pelo Ministério dos Povos Indígenas (MPI), o projeto visa fortalecer a gestão sustentável de 15 Terras Indígenas, abrangendo 6 milhões de hectares em áreas dos biomas Amazônia, Mata Atlântica, Cerrado, Caatinga e Pantanal. O foco é ampliar a proteção de regiões essenciais para a biodiversidade e garantir que as comunidades indígenas possam gerir seus territórios de forma autônoma e eficaz.
Segundo Sonia Guajajara, ministra dos Povos Indígenas, “os povos indígenas são os verdadeiros guardiões da floresta, e este projeto reforça o papel fundamental que desempenham na conservação ambiental e no combate à emergência climática”. Ela destaca que, com o Iwy Ipuranguete, será possível criar as condições necessárias para que os povos indígenas continuem protegendo seus territórios, modos de vida e conhecimentos ancestrais, beneficiando toda a sociedade.
Os territórios, habitados por cerca de 57 mil indígenas, conforme dados do Censo Demográfico de 2022 do IBGE, são fundamentais para o equilíbrio ecológico do Brasil. A iniciativa é coordenada pelo MPI e gerida pelo Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (FUNBIO), sendo executada pelo Instituto Internacional de Educação do Brasil (IEB), com o apoio da Fundação Nacional do Índio (Funai). O projeto é financiado pelo Fundo do Marco Global para a Biodiversidade (GBFF), que faz parte do Fundo Global para o Meio Ambiente (GEF), uma rede de fundos voltados para os maiores desafios ambientais globais.
Com um investimento de US$ 9 milhões (aproximadamente R$ 57 milhões), o Iwy Ipuranguete visa promover o monitoramento ambiental, fortalecer a governança indígena e fomentar a geração de renda sustentável para as comunidades. As ações do projeto permitirão que as populações locais protejam e administrem seus territórios de maneira autônoma, respeitando suas tradições e necessidades.
Ações e Estratégias do Projeto
O projeto dará protagonismo às comunidades indígenas, que serão responsáveis por definir as estratégias e ações prioritárias, com o acompanhamento de especialistas ambientais, garantindo transparência e eficácia. Joenia Wapichana, presidenta da Funai, destaca que a iniciativa representa um avanço na autonomia indígena, afirmando que “esse investimento fortalece a autonomia dos povos indígenas e assegura que suas terras permaneçam protegidas contra o desmatamento e outras ameaças.”
A prioridade do projeto é a implementação de Instrumentos de Gestão Territorial e Ambiental Indígenas (IGATIs), como os Planos de Gestão Territorial e Ambiental (PGTAs), que garantem o uso sustentável das Terras Indígenas. Esses planos, construídos de forma coletiva, asseguram a participação ativa dos povos indígenas na governança de seus territórios, respeitando suas especificidades culturais, ambientais e econômicas.
Principais Ações do Projeto
- Monitoramento e Proteção Territorial – Ampliação da infraestrutura comunitária, com o uso de drones e rádios, para reforçar a segurança e melhorar a vigilância contra invasões e crimes ambientais.
- Desenvolvimento Econômico Sustentável – Apoio a cadeias produtivas indígenas, como a produção de biojoias, frutas nativas, castanhas e outros produtos da sociobiodiversidade, além de facilitar o acesso a programas públicos, como o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA).
- Formação e Valorização Cultural – Capacitação de jovens e mulheres para liderança e gestão territorial, incentivando a governança participativa e o fortalecimento dos conhecimentos tradicionais.
- Soberania Alimentar e Restauração Ambiental – Apoio ao fortalecimento de práticas agrícolas sustentáveis, respeitando as realidades culturais e territoriais dos povos indígenas, com o objetivo de garantir a segurança alimentar e promover a recuperação ecológica.
Com o apoio do projeto, as comunidades indígenas poderão fortalecer suas práticas de gestão territorial, mantendo a preservação ambiental e assegurando o desenvolvimento sustentável de suas terras.