O barulho da máquina de costura é intenso na casa da autônoma Jucilene Cavalcante. Moradora de Bragança, nordeste paraense, a costureira encontrou na confecção de máscaras de tecido uma forma de se reinventar no ofício inicialmente interrompido pelo período de quarentena. Acostumada a produzir roupa feminina, como trajes de festa e vestidos infantis há quase 16 anos, a autônoma viu a sua demanda de trabalho desaparecer com o isolamento social. Sem encomendas de vestuário e as contas chegando, a única certeza que ela tinha era que precisava se reinventar na profissão. E foi isso que fez.

“Eu comecei a confeccionar as máscaras devido aos pedidos de amigos, familiares e moradores da cidade em geral que procuravam esse material de proteção no comércio local e não encontravam. Por isso, resolvi pesquisar sobre o assunto e após ver os modelos, os moldes e os cortes, resolvi aderir a isso e me readequar as novas demandas dessa época de pandemia”, afirma a costureira.

Assim como a Jucilene, a costureira Socorro Ribeiro também precisou se readaptar as mudanças na economia provocada pelo avanço da Covid-19. “Antes dessa crise, a principal demanda do meu ateliê era moda feminina. Mas com essa mudança, a nossa demanda também precisou ser alterada e agora só produzimos máscaras de tecidos, tanto simples como personalizadas. E as encomendas não param de crescer”, destaca a autônoma, moradora de Ananindeua. 

A confecção e o uso de máscaras caseiras feitas em tecido de algodão, tricoline
ou TNT são recomendados pelo Ministério da Saúde.

 

“As máscaras caseiras podem ser feitas em tecido desde que desenhadas e higienizadas corretamente. O importante é que elas sejam individuais, com pelo menos duas camadas de pano e feita nas medidas corretas cobrindo totalmente a boca e nariz e que estejam bem ajustadas ao rosto, sem deixar espaços nas laterais” afirma o ministro da saúde, Luiz Henrique Mandetta.

Fonte de renda 

O aumento na busca por máscaras caseiras também garante renda extra para trabalhadores do comercio informal. Com as vendas de  salgados paralisadas com o sumiço da clientela, o vendedor autônomo Laercio Ferreira resolveu apostar no comércio dos equipamentos de proteção individual para manter o sustento da família. “Eu vendia doces, salgados e cigarros nas festas no final de semana. Mas como meu trabalho parou por causa do isolamento social, eu tive que reinventar o meu ganha pão.  Como eu conheço uma costureira que produz máscaras de pano, decidi investir nesse tipo de produto e o resultado tem sido positivo. Estou satisfeito com as vendas que fiz até agora”, comenta.

O barbeiro Everton Santos também apostou na venda de máscaras de tecido para aumentar a renda. O profissional fez uma parceria com duas costureiras para confeccionar o produto, vendidos numa barbearia do bairro da Marambaia, em Belém. No local, os clientes tem acesso a uma variedade de máscaras caseiras personalizadas com os mais diversos temas, do universo de revista em quadrinhos à paixão do futebol paraense. “A falta desse produto no mercado de Belém foi a oportunidade que eu vi para aumentar a minha renda e ao mesmo tempo conter o avanço do novo Coronavírus na cidade”, afirma.

O barbeiro Everton Santos também apostou na venda de máscaras de tecido para aumentar a renda (Reprodução/Acervo Pessoal)

Use Máscara Belém

Além de movimentar a economia local, a produção de máscaras caseiras também movimenta e inspira ações de solidariedade. Em Belém, um grupo de voluntários recorreu a abertura de uma vaquinha online para comprar tecido e elástico para a confecção e distribuição de máscaras para a população. Lançado na última quarta-feira, 01/04, através de uma plataforma de financiamento coletivo, o projeto Use Máscara Belém incentiva a doação e o uso dos equipamentos de proteção individual como medida para reduzir a curva exponencial da Covid-19. 

Inspirada no projeto “Tudo pela Vida” de Curitiba (PR), que já doou 3 mil máscaras em 15 dias, a ação tem mobilizado diversas pessoas da capital e do interior do estado e reverberado esperança em tempos de pandemia. “Somos uma organização totalmente descentralizada, sem hierarquia, sem partido. A ideia é usar as redes sociais como o Instagram e Whatsapp para mobilizar pessoas e isso tem dado certo. Já conseguimos recursos para comprar alguns materiais, temos grupos de costureiras, de transporte e temos recebido apoio de muita gente”, explica o professor de yoga Rogério Chimionato, um dos voluntários do projeto. 

A vaquinha online do projeto Use Máscara Belém tem como meta, neste momento, a arrecadação de 10 mil reais para a compra dos tecidos usado na produção dos equipamentos de proteção individual. Para saber mais sobre o projeto, acesse a página da plataforma de financiamento coletivo.

(Com informações de Adison Ferreira/ Rede Pará)

Foto: Reprodução/Acervo pessoal


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