Moradores de comunidades do Parque Nacional (Parna) do Jaú e da Reserva Extrativista (Resex) Rio Unini, no Amazonas, realizaram, entre os meses de janeiro e fevereiro deste ano, a soltura de 2.500 quelônios. Os animais, das espécies tartaruga-da-amazônia, irapuca, tracajá e iaçá, foram soltos com a orientação dos pesquisadores do projeto de Monitoramento Participativo da Biodiversidade em Unidades de Conservação (MPB), realizado pelo IPÊ – Instituto de Pesquisas Ecológicas em parceria com o ICMBIO – Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade, através do programa Monitora.

O Monitoramento de Quelônios, com parceria do projeto MPB, ocorre desde 2014 no Parna do Jaú e na Resex Unini. Através do monitoramento, os pesquisadores avaliam dados reprodutivos das espécies, além de dados sobre o deslocamento dos indivíduos dentro de um mesmo rio, estimativas como taxa de crescimento, razão entre os sexos e faixa etária dos indivíduos por espécie. A coleta é realizada com uma rede de captura. Os animais são coletados, marcados e soltos.

“Esse ano foi bastante conturbado para quem trabalha com a conservação de quelônios. Além de muitas praias não ‘aparecerem’ pelo nível alto da seca, após as grandes cheias dos rios, as fêmeas demoraram para desovar e muitos ninhos foram perdidos pelas enchentes que atingiram a região.  Mas, mesmo com todos esses desafios, os monitores têm conseguido garantir a soltura das espécies e gerado resultados importantes para fornecer subsídios para a gestão de áreas protegidas com base no estado de conservação das espécies”, afirma Virgínia Bernardes, coordenadora regional do Monitoramento de Quelônios e pesquisadora do IPÊ.

A ação de soltura fecha a temporada do Monitoramento de Quelônios do projeto MPB na Amazônia. Com o término do projeto, as Unidades de Conservação seguem com o monitoramento em parceria com as comunidades.

Sobre o MPB

Na busca por uma grande participação social na conservação de Unidades de Conservação (UCs) na Amazônia, o IPÊ – Instituto de Pesquisas Ecológicas, em parceria com o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), realiza o projeto Monitoramento Participativo da Biodiversidade, em 18 UCs do bioma. O trabalho acontece desde 2013 e conta com apoio da Fundação Gordon e Betty Moore, USAID, Programa ARPA e mais de 20 instituições locais. Por meio do projeto, comunidades que vivem nas UCs ou próximas a elas, participam de cursos e capacitações para se transformarem em monitores da biodiversidade da floresta, em uma troca constante de conhecimentos com pesquisadores do IPÊ e gestores do ICMBio. Desde a sua implementação, mais de 4.000 pessoas se beneficiaram do projeto.

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